Fiz a pergunta acima ao meu filho e, pra minha surpresa, ele me respondeu que a programação era aquilo mesmo que estava "passando". Relutei em crer, mesmo assim depois de alguns minutos consegui assimilar. Porém, ainda pensei em pedir que alguém me beliscasse para ver se não era um pesadelo.
Como pode uma emissora de TV, com concessão pública e a obrigação constitucional de transmitir cultura, ficar durante quase uma hora passando imagens sem áudio, ou melhor, com áudio unissono, desconexo das imagens feitas a partir de "retalhos" de vídeos amadores, gravados em celulares e câmeras "Made In Paraguai", com barulhos de fliperama?
Diante do quadro eu levantei algumas questões ponderáveis:
A primeira, o dono dessa emissora, o Silvio Santos, deve estar aborrecido com a "perda" de capital de algumas empresas ligadas ao Grupo Silvio Santos(Jequiti e Panamericano), ou ainda sente-se ressentido com o fracasso de uma tentativa de carreira política, e agora faz pouco caso, no melhor estilo, do gosto do público brasileiro jogando "M" na cara de todo mundo.
A segunda é: não há programação disponível. Neste caso, acharam algumas fitas cassete contrabandeada do Japão da década de 30, e soltaram o player até formatar algum programa razoável.
A terceira, Silvio Santos deve ter liberado a emissora para promover algum "laboratório televisivo" à turma do terceiro ano do primário em alguma escola do Acre. Isso justifica uma programação experimental, bem ao estilo do "vai que cola", uma tentativa de repetir o enigmático sucesso do Chávez. Neste caso, pelo amor de Deus, cortem logo o mau pela raiz: mudem de canal, pois se ele se convence de que pelo menos uma casa manteve a TV ligada durante a enxurrada de besteirol, haverá sério risco dele repassar três vezes ao dia, de segunda a segunda.
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sábado, 29 de outubro de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Esquadrão do Amor deve mudar nome para Festival do Cabaço
Glossário:
Cabaço: 4. Pleb. Virgindade.
Voyeur: (palavra francesa) s. m. Pessoa que assiste, para sua satisfação, às manifestações de sexualidade de outrem.
Balzaquiana: 3. Que ou aquele que tem mais de 30 anos.
Pau: 11. Cal. Pénis.
O "Esquadrão do Amor" breve mudará o nome para "Festival do Cabaço". O mais novo programa do SB(esteira)T, a televisão do octagenário Silvio Santos, é um verdadeiro desfile de moças virgens prontas para entrarem no pau de algum rapaz "bem intensionado".
Os descabaçados Jairo Bouer (que está mais para "Jairo Voyeur") e a balsaquiana Alana(nome de guerra?) Rodrigues fazem perguntas (in)diretas do tipo: "Já fez sexo alguma vez?". Claro que isto deve constar em contrato assinado por quem quer participar do programa, mas soa inconveniente para quem assiste. Porque ao ouvir uma pergunta na TV o telespectador questiona-se a si mesmo. Ora, e aos 39 anos de idade, pai de dois filhos (homens), o assunto virgindade já desbotou ao sol dos 19 verões que se passaram.
Bem, mas convenhamos: ainda resta a educação sexual dos filhos. Isto é fato. Porém, a sexualidade DELES, não a MINHA. E nós, os pais, devemos saber até que ponto e de que forma interferimos nesta questão. Sabemos que a pior coisa seria fazer sexo ou perder a virgindade sendo monitorado por terceiros. Então, sejamos cautelosos ao tratar do assunto. Eu sei que o Jairo é psiquiatra e especialista em comportamento, mas ainda acredito que sua função seria, digamos, mais legítima se ele apenas RESPONDESSE, sem questionar sobre assuntos desta natureza. Em fim, está claro que reza ali o contrato, senão, a moça se ofenderia, tal qual Roberta Close, quando o apresentar Fauton Silva (Faustão) perguntou, na "cara dura": Voce sente prazer?
Bem, a verdade é que já no segundo episódio a palavra virgindade repete-se, e a pergunta intrusa volta, como carro-chefe a puxar o enredo num roteiro apelativo e sem conteúdo alternativo. Falta instrução, sobra especulação. É evidente que nada é feito sem a permissão dos participantes, porém acho que muitos se arrependerão depois por transformarem suas vidas, e assuntos tão pessoais, em produto da grade de programação de um canal de TV, com todo o inconveniente de tornar público justo um assunto tão íntimo.
Cabaço: 4. Pleb. Virgindade.
Voyeur: (palavra francesa) s. m. Pessoa que assiste, para sua satisfação, às manifestações de sexualidade de outrem.
Balzaquiana: 3. Que ou aquele que tem mais de 30 anos.
Pau: 11. Cal. Pénis.
O "Esquadrão do Amor" breve mudará o nome para "Festival do Cabaço". O mais novo programa do SB(esteira)T, a televisão do octagenário Silvio Santos, é um verdadeiro desfile de moças virgens prontas para entrarem no pau de algum rapaz "bem intensionado".
Os descabaçados Jairo Bouer (que está mais para "Jairo Voyeur") e a balsaquiana Alana(nome de guerra?) Rodrigues fazem perguntas (in)diretas do tipo: "Já fez sexo alguma vez?". Claro que isto deve constar em contrato assinado por quem quer participar do programa, mas soa inconveniente para quem assiste. Porque ao ouvir uma pergunta na TV o telespectador questiona-se a si mesmo. Ora, e aos 39 anos de idade, pai de dois filhos (homens), o assunto virgindade já desbotou ao sol dos 19 verões que se passaram.
Bem, mas convenhamos: ainda resta a educação sexual dos filhos. Isto é fato. Porém, a sexualidade DELES, não a MINHA. E nós, os pais, devemos saber até que ponto e de que forma interferimos nesta questão. Sabemos que a pior coisa seria fazer sexo ou perder a virgindade sendo monitorado por terceiros. Então, sejamos cautelosos ao tratar do assunto. Eu sei que o Jairo é psiquiatra e especialista em comportamento, mas ainda acredito que sua função seria, digamos, mais legítima se ele apenas RESPONDESSE, sem questionar sobre assuntos desta natureza. Em fim, está claro que reza ali o contrato, senão, a moça se ofenderia, tal qual Roberta Close, quando o apresentar Fauton Silva (Faustão) perguntou, na "cara dura": Voce sente prazer?
Bem, a verdade é que já no segundo episódio a palavra virgindade repete-se, e a pergunta intrusa volta, como carro-chefe a puxar o enredo num roteiro apelativo e sem conteúdo alternativo. Falta instrução, sobra especulação. É evidente que nada é feito sem a permissão dos participantes, porém acho que muitos se arrependerão depois por transformarem suas vidas, e assuntos tão pessoais, em produto da grade de programação de um canal de TV, com todo o inconveniente de tornar público justo um assunto tão íntimo.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Novelas do SBT - Amadorismo levado ao extremo
Eu já havia "malhado" aqui sobre os temas das novelas do SBT serem todos piegas. Quando importadas do México são "Maria do Bairro", "Bete, a Feia", "A Feia Mais Bela", etç. Quando nacionais, "Uma Rosa Com Amor", "Maria Esperança", e por ai vai. Mas hoje eu pretendo atacar (na verdade, chutar cachorro morto) por outro lado. Esqueça Roberta Vermont (Isadora Ribeiro) tomando chá da tarde no Brooklin, ali bem perto do rio Tietê, onde os pernilongos não dão sossego (que se dirá de quem põe a mesa no quintal, próximo a verdes e infestados arbustos tropicais) e esqueça também o charme agreste do filho de Ivan Lins, fazendo aula de teatro em "horário nobre". Vou falar da composição de cenas, das marcações e disposições dos personagens. Ah, e das cores. Nossa! Péssimo gosto é com eles mesmo.
Olha ai as flores do velório estrategicamente(obvio ao extremo) colocadas por trás da personagem.
Calma! Cada personagem tem seu arranjo de flores, vermelho berrante, por trás de si.
A senhora também não ficaria sem flores, vovozinha. É um velório, está certo, mas todos aqui estão bem adornados por um ramalhete vigoroso. Péssimo gosto e obviedade também são aspectos democráticos, embora nem sempre revelem arte.
E até na mesa, lá está o vermelho. Na xícara, no guarda-napo, no travesseiro...travesseiro? Que diabos faz essa almofada aí?
De volta aos ramalhetes do velório sem defunto...só que desta vez, aos pares.
A regra do diretor é burra: "Gente, permaneçam de dois em dois diante de um arranjo de flores".
"Isso! Ai está bom!"(a vóz do diretor não é ouvida, mas é perceptível no resultado da cena).
Quem disse que quando se tem uma beldade, se precisa de dramaturgia?
Conhece casais que permanecem assim? O homem a meio ombro por trás da mulher? Parece o Luiz Ricardo e a Patrícia fazendo anúncio do Jequiti Cosméticos (o diretor da campanha deve ser o mesmo que dirige a novela, ou então recebe palpites do Silvio Santos, ou da Iris Abravanel. Sei lá...).
Note que ela até tentou girar o corpo, mas lembrou-se de que um gesso de burrice (do diretor) a mantém fixa, recostada sobre o peito do namorado (rígido e fixo feito um poste). Eles movem o pescoço, mas o corpo permanece na posição marcada (provavelmente com um "X" no chão). É bonitinho, mas parece que estão posando para revista de fotonovelas. Isso dá a exata noção de quão atualizados, e sintonizados com o mundo real, são os diretores de novelas do SBT.
Olha ai as flores do velório estrategicamente(obvio ao extremo) colocadas por trás da personagem.
Calma! Cada personagem tem seu arranjo de flores, vermelho berrante, por trás de si.
A senhora também não ficaria sem flores, vovozinha. É um velório, está certo, mas todos aqui estão bem adornados por um ramalhete vigoroso. Péssimo gosto e obviedade também são aspectos democráticos, embora nem sempre revelem arte.
E até na mesa, lá está o vermelho. Na xícara, no guarda-napo, no travesseiro...travesseiro? Que diabos faz essa almofada aí?
De volta aos ramalhetes do velório sem defunto...só que desta vez, aos pares.
A regra do diretor é burra: "Gente, permaneçam de dois em dois diante de um arranjo de flores".
Quem disse que quando se tem uma beldade, se precisa de dramaturgia?
Note que ela até tentou girar o corpo, mas lembrou-se de que um gesso de burrice (do diretor) a mantém fixa, recostada sobre o peito do namorado (rígido e fixo feito um poste). Eles movem o pescoço, mas o corpo permanece na posição marcada (provavelmente com um "X" no chão). É bonitinho, mas parece que estão posando para revista de fotonovelas. Isso dá a exata noção de quão atualizados, e sintonizados com o mundo real, são os diretores de novelas do SBT.
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